Clima no Nordeste em 2024: por que tanta gente sentiu que o tempo “pesou” mais do que o normal?
Se você mora no Nordeste, provavelmente já percebeu que o clima não está mais “como antigamente”. Ondas de calor intensas, longos períodos de seca e chuvas irregulares passaram a fazer parte da rotina de milhões de pessoas. E essa percepção não é apenas sensação: uma pesquisa recente do Instituto Nexus mostrou que 57% dos nordestinos consideraram 2024 mais severo em eventos climáticos do que anos anteriores. Além disso, 11% afirmaram que o ano foi muito pior.
Ou seja, o clima realmente “pesou” — e esse é um tema cada vez mais recorrente nas provas do ENEM, especialmente nas áreas de Geografia, Ciências da Natureza e Redação.
Quais mudanças climáticas mais chamaram atenção no Nordeste?
Quando questionados sobre as alterações mais perceptíveis no clima em 2024, os nordestinos destacaram três fatores principais:
- Aumento da temperatura (96%): o calor extremo se tornou mais frequente e intenso;
- Redução das chuvas (90%), sobretudo no interior da região;
- Secas mais graves (83%), afetando principalmente famílias de baixa renda.
Esses dados ajudam a entender por que o Nordeste aparece com frequência em debates sobre mudanças climáticas, aquecimento global e desigualdade socioambiental, temas clássicos do ENEM.
Crise climática ou grave problema? O que a população pensa
Mesmo diante desse cenário, 49% dos entrevistados ainda não classificam o momento como uma “crise climática”, mas sim como um grave problema ambiental. Essa percepção pode estar ligada à história da região, marcada por longos períodos de seca e eventos extremos recorrentes.
Por outro lado, um grupo crescente, especialmente entre jovens, mulheres e pessoas com maior escolaridade, já reconhece as mudanças climáticas como uma crise global, com impactos diretos na economia, na saúde e na qualidade de vida.
O que esperar do clima entre 2025 e 2030?
As projeções para os próximos anos não são animadoras. Segundo a pesquisa, 53% dos nordestinos acreditam que os eventos climáticos extremos serão ainda mais intensos até 2030.
A meteorologista Morgana Almeida, do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), reforça esse alerta ao lembrar que 2024 foi um dos anos mais quentes da história registrada no Brasil.
Ela destaca que o Nordeste é uma região diversa, onde os impactos do clima variam bastante. Um exemplo marcante foi a tragédia das chuvas de 2022 na Região Metropolitana do Recife, que deixou mais de 140 mortos. Apesar das diferenças regionais, a tendência geral é clara: temperaturas mais altas e eventos extremos mais frequentes.
Impactos socioeconômicos das mudanças climáticas
As consequências do clima extremo vão muito além da sensação térmica. Entre os principais impactos no Nordeste, destacam-se:
- prejuízos à agricultura;
- redução dos reservatórios de água;
- aumento no preço dos alimentos;
- maior risco de insegurança hídrica;
- problemas de saúde pública, relacionados ao calor intenso e à qualidade do ar.
Como costuma aparecer nas questões do ENEM, os efeitos do clima atingem com mais força as populações mais vulneráveis, aprofundando desigualdades sociais já existentes.
O que aprendemos com esse cenário?
A principal conclusão da pesquisa é clara: as mudanças climáticas deixaram de ser um tema distante. Elas estão no dia a dia das pessoas, na falta de água, no calor excessivo, nas chuvas intensas e na perda de safras.
Para quem estuda para o ENEM, entender esse contexto é fundamental. O exame valoriza a leitura crítica da realidade, a relação entre meio ambiente e sociedade e a capacidade de propor soluções sustentáveis.
O clima mudou e nós estamos mudando com ele. O desafio agora é transformar essa percepção em ação, cobrando políticas públicas, incentivando práticas sustentáveis e compreendendo que cuidar do clima é cuidar da nossa própria qualidade de vida.
Referências: ALEX RODRIGUES – REPÓRTER DA AGÊNCIA BRASIL
